quinta-feira, 6 de setembro de 2012

A herança do amor

Pensar no bem do próximo é uma atitude considerada rara hoje em dia. São tantas as desculpas que levam as pessoas a se distanciarem umas das outras. Alguns acham que o tempo está passando rápido demais, e não sobra espaço para se dedicar às pessoas, ao bem comum, ou a qualquer gesto de generosidade.
Antigamente, a vida era mais simples, o contato humano era mais profundo, mais real. Perdíamos horas conversando com os amigos no portão, nossos pais ainda cultivavam a inteligência, a cultura e lutavam por um bom futuro.
Há vezes em que acho que ficamos mecanizados, tratamos as pessoas como nossas máquinas, onde basta um toque para que funcionem, e com isso, acabamos impacientes, intolerantes e consequentemente, distribuímos a falta de afeto, de compaixão, de admiração, que deveríamos ter por aquilo que somos de fato, ou pior, passamos a buscar a felicidade nas coisas, nos objetos, no material. Condicionamos nossa felicidade à aquisição de bens. Quantas vezes ouvimos alguém dizer que só vai se realizar quando comprar aquele carro, ou casa? Isso é comum. Se alguém me perguntar: - Eu trabalhei a vida toda para ter isso, você acha que não mereço? Direi: - Claro que merece! Não devemos nos privar do conforto. Nunca! O que quero dizer, é que a felicidade está diretamente ligada ao amor, e não digo amor entre um casal, pois isso é mais raro ainda; Falo do amor ao próximo, do incondicional. Isso é algo que só se pode dar quem sente. É algo que aquece o coração, faz crescer a alma. Posso dizer que dignifica o Homem.
Como podemos então pensar no futuro? Se hoje, não conseguimos pensar no próximo, se sofremos a escassez dos valores e dos princípios?
É estranho citar isso, mas o amor, assim como consequentemente os valores e princípios estão diretamente ligados à Educação, aquela que “vem de berço”. É em casa que aprendemos o que é certo e errado, é com o respeito qual fomos tratados que aprenderemos a tratar os outros, é em casa que formaremos nossos conceitos e personalidade.
Certa vez, ouvi dizer que um índio, com seu neto nos braços, contava a estória de dois lobos, um bom e outro mau, que habitavam dentro de cada um, numa batalha constante. O lobo bom simbolizava o amor, a aceitação, a tolerância, o respeito e a generosidade e o lobo mau simbolizava a raiva, o desprezo, a arrogância e a mediocridade. Ouvindo isso, o neto pergunta ao velho índio quem venceria aquela batalha, e o velho responde que venceria o lobo que fosse alimentado.
Por isso penso que deixamos de cultivar a bondade que temos, tiramos os espaços, abrindo um abismo de falsos valores.
O mundo de amanhã não depende do que deixaremos, mas do quanto nos doamos, do quanto amamos e construímos embasados nesse sentimento de caridade. Essa ideia pode parecer piegas, mas acredito que quem respeita a vida, tem consciência do que está deixando e fará o melhor.

Aldren